
Ok, primeiro as credenciais. O filme ganhou o prêmio de Melhor Filme pela crítica na Mostra SP de Cinema em 2007, Melhor Ator e Melhor Direção de Arte no Festival de Gijón (e se as informações estiverem erradas, desculpem a belezinha que anota tudo correndo pra contar depois e não entende a própria letra).
Tá. Agora o criticável (quero deixar o melhor pro final): você vai identificar muitas questões que o cara quis dar conta numa única tacada (longa tacada de 140 minutos), algumas delas tratadas assim bem en passant. Eu me confundo, e prefiro um assunto pesado de cada vez, melhor explicado, mas vamos lá, nem por isso o Klotz se perdeu.
Agora, a Questão Humana é um filme sério, de verdade, e pesado, mas é um filme bom, bom tipo ótimo, bom daqueles que não pode perder. Uma das direções de arte que mais contribuem pro argumento e pro espírito do filme que já vi, ever. A tomada inicial (a cena no banheiro) explica, claro que de maneira bem poética, quase que o filme inteiro. Quase. Por que além das questões "firma" que todo coitado que bate cartão, tem que paparicar o diretor e fazer entrevista com o gerente de RH, como eu, conhece, o filme vai caminhando pra coisas muito mais escondidas, profundas e complicadas.
Acho lindo o jogo de palavras entre problema e questão, e aliás, esse cuidado com a escolha dos termos (também a coisa da linguagem técnica versus o sofrimento humano) é uma das coisas mais originais e brilhantes do filme, pena que só vai aparecer mais pro final. Mas a "palavra" não aparece só assim, difícil e cabeça. Nota mil pra cena no barzinho onde eles assitem um cantor de fado e outro daquelas canções espanholas que até o mais gélido dos imparciais se arrepia, como quem diz que a palavra também proporciona essas maravilhas.
Não esqueço a maneira como o diretor resolve os minutos finais do filme (ai que vontade de contar como é). Não esqueço a interpretação incrível do Mathieu Amalric, que vai se desmantelando no decorrer dos acontecimentos. Não esqueço o perfume meio noir e sombrio da fotografia, que por si só já vale o tempo e o dindin do aluguel do DVD.
Só pra avisar, vai acabar triste, ok? Mas eu veria de novo, mesmo assim, mil vezes.
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