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domingo, 7 de novembro de 2010

LUGARES ESTRANHOS E QUIETOS (Wim Wenders)

E pra você que ainda não enjoou do Wim Wenders, vale a pena dar uma passada no MASP pra ver a expo Lugares estranhos e quietos, com umas 20 e poucas fotografias de suas andanças por aí, preferindo becos e ruazinhas esquisitas, como ele mesmo explica num texto delicioso que abre a exposição.

As ampliações são grandes o suficiente pra animar qualquer um que goste de fotografia, mas legal mesmo é aquele olhar que encontra o lugar que traduz o que a gente tem de sombrio, triste e desolado.

Tem bastante coisa bonita.

Vale o rolê!

Serviço - Lugares, estranhos e quietos, de Wim Wenders. Masp (av. Paulista, 1578). De 21 de outubro a 16 de janeiro de 2011. Tel. (11) 3251-5644. Terças, quartas, sextas, sábados, domingos e feriados, das 11h às 18h; quintas, das 11h às 20h. A bilheteria fecha uma hora antes. Ingressos: R$ 15 (grátis nas terças).

terça-feira, 2 de novembro de 2010

FILMES DA VIDA DO WIM WENDERS (Cinemateca, 34a Mostra de Cinema SP)

O que é melhor do que assistir Asas do Desejo na Cinemateca? O Wim Wenders subir no palquinho depois e ficar 2 horas falando pra platéia! Mais uma daquelas felizes noites que você está no-lugar-certo-na-hora-certa, e sem saber. Fui só pro filme e levei o Wim de lambuja.

O pessoal da mostra inventou uma coisa que chama “Os filmes da minha vida”, e os diretores passaram a semana falando sobre suas listinhas de ouro. Ideia bacana que logo mais deve aparecer publicada por aí.

Sabe aquele mito que todo diretor de cinema é em essência um contador de histórias? Não curto muito o clichê, mas devo admitir que o Wim Wenders, além de tipão e simpático, seqüestrou a atenção de quem tava lá, que nem piscou pra ouvi-lo falar de quando a avó lia as histórias acompanhando com o dedo as palavras nos livros (e assim ele aprendeu a ler), e como ele era apaixonado pelos espaços entre as linhas, que era onde a imaginação podia construir o resto que as palavras não podiam.

Não fiquei até o fim (ai, gente, carne e osso, né), mas anotei alguns dos filmes da vida dele, pra quem interessar possa:

The Rules of The Game (Jean Renoir, 1939)

The Man of the West (Anthony Mann, 1958)

Wavelenght (Michael Snow, 1967)

Blow-up (Antonioni, 1966)

Easy rider (Dennis Hopper, 1969)

Tokyo Story (Yasujiro Ozu, 1953)

The Salt of Earth (Binderman, 1954)

Stranger Than Paradise (Jim Jarmusch, 1984)

Only Angels Have Wings (Howard Hawks, 1939)

ASAS DO DESEJO (Wim Wenders, 1987)

A Mostra tem essa deliciosa mania de trazer clássicos pra reexibir pros pobres mortais que perderam ou não tinham idade suficiente pra ver essas maravilhas na telona. Porque cinema é na sala de cinema, né, gente? Você pode ter uma TV de mil polegadas e um surround com mil caixas de som, mas, como já disse o André Barcinski, ver filme em casa é como ir a restaurante em shopping: a comida pode até ser boa, mas a experiência nunca será completa.

Falando em experiência completa, fui assistir Asas do Desejo na Cinemateca, certamente minha sala preferida entre todas dessa cidade. A Mostra sempre faz um afago no Wim, mas dessa vez a coisa foi séria: além de Asas do Desejo, exibiram Paris, Texas, O filme de Nick e Até o Fim do Mundo. Ele retribui o afago e fica por aqui a semana inteira, dando o simpático ar de sua graça por aí.

Não precisa dizer muito desse filme que foi um dos mais importantes da década de 80, o mais bonito do Wim e um dos mais poéticos que já vi.

Vocês já sabem a história dos anjos que ficam por aí tentando dar uma ajudinha aos perturbados seres humanos, com aquele turbilhão de pensamentos narrados em off, tão parecidos com os nossos que até dá uma tristezinha doída. Um dos anjos se apaixona por uma trapezista e decide existir: a partir daí o filme fica colorido, e Damiel (Bruno Ganz) vai ter que se virar pra encontrar e convencer Marion desse amor todo, o que não é difícil.

Esse parágrafo resume a história, mas como todo filme inesquecível, a história é muito pouco do filme, que é uma obra-prima de fotografia, ritmo e lirismo.

É um dos retratos que mais amo de uma Berlim que só conheço via lente dos diretores: becos, terrenos baldios, ruínas, reconstrução e modernidade.

E sim, o enredo é quase o mesmo do água com açúcar Cidade dos Anjos (com a Meg Ryan e o Nicolas Cage). Gostei desse filmezinho quando vi, lá pelos meus 15 anos, mas quando vi Asas do Desejo não entendi pra quê refilmar uma história que foi filmada de maneira definitiva, mil vezes mais moderna apesar de ser uma década mais velha e arrebatadora o suficiente pra ser reexebida com freqüência, e não refilmada. Vai saber.

Se você gosta de Nick Cave & The Seeds, babe com as 3 músicas ao vivo que eles fazem no filme, inclusive na cena que o lindo do Bruno Ganz encarnado vai procurar sua Marion numa balada berlinense modernosa e decadente.

E se não deu pra ver no cinemão: vale DVD, computador, telinha de notebook, qualquer coisa. Olha que nem todo filme merece.