segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

ÚLTIMO TANGO EM PARIS (Bernardo Bertolucci, 1972)

(Recuperando um post de 21 de outubro de 2008, em outro blog!)

Confesso que amo cinema, assito tudo e qualquer coisa, mas a angústia de ter que ver todos os filmes da Mostra me dá um pouco de tontura! A gente fica tão aflito pra escolher os melhores pra ver (e pra escapar de roubadas indescritíveis), que acaba vendo nenhum ou poucos, e pior, esquecendo de todo o resto que está na prateleira da 2001 há 50 anos e você nunca teve a pachorra de alugar!

Nesse espírito assitir os clássicos antes que os novos virem clássicos e sua lista aumente cada vez mais, vi, finalmente, essa semana, e sem vergonha de ter demorado tanto, O Último Tango em Paris. Motivos para ver esse filme fabuloso, polêmico e modernésimo (até hoje) não faltam e qualquer blog de crítica de cinema de verdade vai te falar uns 200. A direção do Bertolucci, a fotografia foda (de Vittorio Storaro), o Marlon Brandon impossível, a lindinha da Maria Schneider, o retrato improvável de Paris, a tal da cena da manteiga (não acredito que seja essa a única cena que tenha ficado gravada no imaginário popular!), são alguns desses. Escolha o que quiser, porque você vai terminar a sessão com aquele incômodo esquisito, com aquela pulguinha atrás da orelha que só um bom clássico consegue colocar. Fiquei maluca com a cena do Paul e da sogra no abre-e-fecha das portas do hotelzinho, mais maluca ainda com o Paul conversando com a mulher morta, e definitivamente o concurso de tango em paris é qualquer coisa de surreal. Vale o ingresso!

sábado, 20 de fevereiro de 2010

AVATAR (James Cameron, EUA/2009)

Tá bom. Depois de uma tentativa frustrada de resistência, com o rabinho entre as pernas, fui ver o mega-blaster-super-ultra Avatar ontem. A última vez que o James Cameron me tirou de casa, eu tinha 15 anos, 10 amigas suspirando toda vez que Leo aparecia na telona, e 1 namorado que, coitado, teve que participar do programa infeliz, e me beliscava toda vez que Leo aparecia na telona. Faz parte.

Querem as notícias boas ou as ruins primeiro? Ok, as ruins. Fiquei enjoadíssima com os oclinhos 3D, além de achar o equipamento bem podrinho (ai, gente, cobra o tíquete mais caro e arruma uns óculos decentes). Pra falar bem a verdade, acho que vou ser daquelas velhas corocas que saem do cinema resmungando que no meu tempo é que era bom, filme, projetor, tela, a gente, e nada mais. Fiquei lembrando de um filminho dos muppet babies que eu vi nem sei onde, com uns 10 anos, a última vez que 3D foi divertido pra mim. Mas tá, tá, tá. É legal.

E acho que todo mundo entendeu os clichês, né? Cara-pálida é mau, nativo é bom, tamo acabando com o mundo pra descolar umas pepitas super valorizadas, mas o fim a mãe-natureza acorda e acaba com os milico. Ai, Cameron, só você. O chefão militar descendo com roupa de robocop no fim pra matar o mocinho pessoalmeeeente foi daquelas, o beijo bizarro dos bonecos, o ritual kumba com todo o Povo sentadinho, abraçado e girando em transe, a galera respeitando o forasteiro só porque ele conseguiu dirigir a pipa gigante... vai, gente, falando assim até que é engraçado!

Boas notícias? O visual é o mais lindo, mais psicodélico, mais criativo, mais colorido, mais exuberante ever. Quem tomou esse ácido todo, né? É absurdo. Fiquei morta de vontade de ter uma daquelas telinhas do laboratório da Sigourney. Aliás, nossa heroína, que tá fofa e arrasou com o cigarrão na primeira cena e o uiscão numa das últimas. A história da árvore das almas, de você conectado com os bichinhos, da mama natureza que não toma partido... não é bonitinho, gentê? E as montanhas suspensas? Taí, pra mim, toque de gênio.

Ai, e quem não adora filme que o mocinho é meio estranho, meio rebelde, mas tem boas intenções e quando você acha que não tem mais saída, dá um jeito esperto de salvar todo mundo? Eu adoro.

Tirando a breguice, o exagero e o melodrama... adorei e vejo de novo (se tiver versão 2D, tem??). Ah, e Cameron, queremos concordar com você: a natureza sempre vence no final! :)