A infeliz tradução do título (Monsieur Ibrahim, no original) pode fazer você desviar dessa pérola na prateleira da 2001. Não o faça.Possivelmente a melhor atuação do Omar Shariff, que apesar de muito bonitão e com aquela presença toda que conhecemos, nunca convenceu muito os críticos e cinéfilos mais chatinhos.
A história é mais ou menos simples, mas talvez por isso, como geralmente são os filmes despretensiosos que a gente ama, seja tão envolvente. Momo (Pierre Boulanger) é um molecote judeu, que mora com o pai absolutamente deprê num beco em Paris rodeado de prostitutas, se virando nos trinta pra conseguir espremer o dinheirinho que o pai dá. O lindinho do Boulanger ganhou o prêmio de melhor ator no festival de Chicago, e não sem merecer. Quem não saiu do cinema com o coração derretido, completamente envolvido nas aventuras do adolescente começando a vida adulta aos trancos e barrancos, bom sujeito não é. Nota mil pro fofo, que só não rouba a cena porque o Shariff, na pele do monsieur Ibrahim, um turco sufi dono do mercadinho árabe, engraçado e poético, está um arraso. Adoro as frases de efeito, os conselhos profundos, que ele consegue dar com humor e um pouquinho de deboche. Fica uma delícia.
Aí você já sabe, o pai é relapso, o turco é solitário, o menino precisa de apoio, a amizade dos dois vai crescendo, e você já nem sabe mais quem é que no fundo está ajudando quem. O final é um pouquinho melancólico e óbvio, nada que tire a graça da história, de maneira alguma.
Ah, e a trilha sonora é um deleite, pra gravar e tocar em casa em dias de faxina, domingos chuvosos e manhãs tristinhas. Levanta qualquer humor caído!
Além do prêmio do Boulanger, o filme foi indicado ao Globo de Ouro e ao Goya, e o Omar Sharif ganhou o César de melhor ator e prêmio do público como melhor ator no Festival de Veneza.