
Olha, já vou logo avisando que tô numa fase Nouvelle Vague, então desconto pros meus exageros de deslumbrada, tá.
Momento mini-curso pros que, como eu, ouviram falar desses filmes e diretores a vida toda, mas resolveram, só agora, assistir um por um, sistematicamente. O Acossado foi o filme de estréia do Godard (depois que assistirem, pasmem), que, junto com uma porção de críticos de cinema importantes na época - Truffaut, Chabrol, Resnais e outros da Cahiers du Cinèma - resolveu parar de reclamar que o cinema francês estava bobo e decadente e resolveu colocar a mão na massa. A Nouvelle Vague nunca existiu como movimento "formal", mas fez escola com a liberdade no roteiro, a fotografia de meu-deus, a edição nonsense, os temas libertários e as personagens deliciosamente marginais.
Aí que o Godard estreou com essa jóia, com roteiro do François Truffaut, e eu, que detesto esses "tem-que-ver" que os cinéfilos adoram, digo que tem mesmo que ver esse que, segundo os especialistas, é o marco de início da Nouvelle Vague e uma das coisas mais modernas que o cinema já fez. Pra ver o Jean-Paul Belmondo arrasando como o malandrésimo Poiccard, a linda da Jean Seberg como a norte-americana cujo corte de cabelo o mundo inteiro deve ter copiado. Pra ver a tomada dos dois no quarto dela saracoteando pra lá e pra cá, que é deleite. Pra ver o Poiccard cantarolando no carro que aime beacoup la france. Pra ver uma das cenas que mais gosto ever que é Paris anoitecendo e as luzes acendendo, coisa linda.
O Jean-Paul Belmondo estourou nesse filme e depois fez zilhões de outros, depois fez teatro e até hoje (fofo e ainda lindo) é um dos queridões da França. E pra quem não se contentar com o filme, vale a pena dar uma olhada na entrevista dele, mais ou menos na época, contando como o filme foi escrito e rodado, em:
http://www.youtube.com/watch?v=M2oGSkEpyEc
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