
Confesso que amo cinema, assito tudo e qualquer coisa, mas a angústia de ter que ver todos os filmes da Mostra me dá um pouco de tontura! A gente fica tão aflito pra escolher os melhores pra ver (e pra escapar de roubadas indescritíveis), que acaba vendo nenhum ou poucos, e pior, esquecendo de todo o resto que está na prateleira da 2001 há 50 anos e você nunca teve a pachorra de alugar!
Nesse espírito assitir os clássicos antes que os novos virem clássicos e sua lista aumente cada vez mais, vi, finalmente, essa semana, e sem vergonha de ter demorado tanto, O Último Tango em Paris. Motivos para ver esse filme fabuloso, polêmico e modernésimo (até hoje) não faltam e qualquer blog de crítica de cinema de verdade vai te falar uns 200. A direção do Bertolucci, a fotografia foda (de Vittorio Storaro), o Marlon Brandon impossível, a lindinha da Maria Schneider, o retrato improvável de Paris, a tal da cena da manteiga (não acredito que seja essa a única cena que tenha ficado gravada no imaginário popular!), são alguns desses. Escolha o que quiser, porque você vai terminar a sessão com aquele incômodo esquisito, com aquela pulguinha atrás da orelha que só um bom clássico consegue colocar. Fiquei maluca com a cena do Paul e da sogra no abre-e-fecha das portas do hotelzinho, mais maluca ainda com o Paul conversando com a mulher morta, e definitivamente o concurso de tango em paris é qualquer coisa de surreal. Vale o ingresso!
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