segunda-feira, 5 de abril de 2010

O SEGREDO DE SEUS OLHOS (Juan José Campanella, 2009)

Ok que todo mundo já sabe, mas posso falar de novo? Filmaço esse do Juan José Campanella (O Filho da Noiva), baseado no livro do Eduardo Sacheri (A pergunta de seus olhos), que tomou o Oscar das mãos do favorito A Fita Branca, arrasou em bilheteria na Argentina e deixou todo latino-americano um pouquinho mais orgulhoso.

O filme conta a história de um ex-defensor público (Ricardo Darín, inesquecível), que não consegue esquecer um crime que aconteceu há 25 anos e, bem, ele não consegue esquecer muitas outras coisas também, mas aí você vai ter que assisitir, que eu sou estraga-prazer mas nem tanto.

Além de ser bem filmado, bem montado, bem escrito, da fotografia ser absurda, do figurino, maquiagem e ambitação serem mega bem cuidados, vale ouro ver uma história tão densa e bem contada com nosso gosto (tô misturando a gente com os argentinos, tá), a burocracia monstra, a ditadura, a paixão pelo futebol (pros entendidos, que não é meu caso, num plano-sequência que tá todo mundo atrás do Campanella pra descobrir como foi feito), a graça do politicamente incorreto, o companheiro do Benjamín que bebe mais que motor de carro véio (mas que tem a sacada genial de lembrar que a gente pode mudar tudo, nome, casa, cidade, menos nossas paixões).

Mas lindo mesmo, como diz o título, é o segredo dos olhos que nunca trai o que sentimos, mesmo quando falamos exatamente o contrário. E com essa pulga atrás da orelha, o Benjamín vai juntando as peças do assassinato (e suas consequências), e, óbvio, juntando as peças da própria vida dele também. Porque O Segredo dos Seus Olhos também é um filme sobre os fantasmas que ficam guardados (às vezes, literalmente) e aí, meu amigo, só indo até o fim pra exorcisar.

Nossos hermanos não jogam lá muita bola (hehe), mas fazem um cinema que meu-deus. Se perdeu no cinema, já deixa reservado na 2001 pra não esquecer quando sair em DVD, tá?

Um comentário:

Terla disse...

Amei o post. O filme é divino, me arrepiei só de ler tua resenha.